O que o Islã ensina aos cristãos?

28 28UTC janeiro 28UTC 2012

Padre Piero Gheddo ROMA, sábado, 21 de janeiro de 2012 (ZENIT.org) .- O Pe. Davide Carraro do PIME tem 31 anos e esteve dois anos no Egito para aprender o árabe e depois ir para a Argélia. Faço-lhe uma pergunta que me fascina: “Você viveu dois anos entre um povo com grande maioria muçulmana. Do Islã nós já conhecemos aqueles aspectos que são negativos. Pergunto: quais são os aspectos positivos desta religião? O que pode ensinar, a nós, cristãos, a vida de um povo muçulmano? “. Davide responde: “A vida social no Egito é marcada pela oração, pela chamada à oração, pelas muitas pessoas que rezam em público, não se envergonham de rezar em público, e mais, este é realmente um gesto considerado positivo, uma pessoa que não se envergonha de professar sua fé. Até mesmo na maneira deles falarem, há, muitas vezes, expressões religiosas: Como Deus quer … Estamos nas mãos de Deus … Deus abençoe a todos nós … Deus está sempre presente no seu modo de falar e até mesmo no seu vestir. Por exemplo, uma mulher de véu é um símbolo religioso, aquela mulher é temente a Deus, No Egito, muitos homens têm uma marca negra ou cinza na testa que indica a oração (“zabiba”), que é feita colocando a testa no chão. Às vezes fazem uma pequena tatuagem que indica isso.

“Depois, há uma chamada pública à oração três vezes por dia que é muito forte, o sentem todos: “Vinde à oração, que é muito mais importante do que o sono”. É um lembrete que dá ritmo ao dia. Para nós, o relógio da torre ou do campanário ritma o tempo que passa. No islã a chamada do muezzin lembra que estamos sempre com Deus, na presença de Deus. Que depois vão ou não vão para a oração é um outro problema, mas a sociedade publicamente faz a chamada para a presença de Deus. Sente-se na atmosfera uma certa religiosidade que não sinto na Itália. Que depois seja formal ou autêntica é uma outra coisa, mas para nós Ocidentais, que perdemos o sentido de Deus na nossa jornada, na nossa vida, isto é um forte apelo”.

Lembro-me do Padre Davide que nos anos trinta e quarenta, quando eu era um menino na minha cidadezinha de Tronzano Vercellese, quando os sinos tocavam o Angelus, três vezes ao dia, manhã, tarde e noite, mesmo aqueles que trabalhavam nos campos ou caminhavam pelas estradas paravam e faziam o sinal da cruz recitando uma oração. A minha infância e juventude em Tronzano (eu nasci em 1929) foi marcada por essa atmosfera religiosa na vida pública e nas famílias (por exemplo a oração comum do terço nas tardes) que hoje perdemos na Itália. “E eis que – continua Davide – no Egito ainda é muito forte. Até os cristãos cóptos egípcios fazem tatuagens no pulso, desde crianças, uma pequena cruz sempre visível quando se estica a mão para cumprimentar, para pegar alguma coisa. Os coptas, vendo que os muçulmanos rezam, ou no mês do Ramadã, saem por aí com o Alcorão na mão, dizendo que são sinais de hipocrisia, porque depois jogam bombas em nós.

Mas aqui entramos em um outro tema. Para dialogar com estes nossos irmãos muçulmanos, devemos também ver os seus aspectos positivos. Se nos outros também vemos seus aspectos positivos, assim é possível construir um diálogo, uma amizade.” “Outra coisa que me impressionou no Egito é o grande respeito que eles têm pelo Alcorão, sempre, não só publicamente, mas também em privado. O sentido do sagrado e do livro sagrado. Por exemplo, nunca se coloca nenhum livro sobre o Alcorão, que deve ser mantido em um lugar de honra, elevado, isolado. Isto indica o senso da presença contínua de Deus na nossa vida e na vida da sociedade. “É verdade que vivem uma religião diferente da nossa, mas justamente esse fato, encontrando-os, dá-nos a oportunidade de entender também o valor da nossa fé e nosso Livro. “Por exemplo, eu, como estrangeiro, no pequeno comércio, no restaurante, tive mais decepções com os cristãos coptas que dos muçulmanos, os muçulmanos têm sido mais honestos do que os cristãos. Talvez porque nós, como cristãos, sempre insistimos, e com razão, num Deus que é amor, Deus nos ama, Deus nos perdoa, perdemos um pouco o temor de Deus. Os muçulmanos não. Eles têm o senso da presença contínua de Deus, que vê e julga tudo, talvez eles têm medo de Deus, mas não perderam o temor de Deus.

No Egito e na Argélia, em contato com as pessoas comuns, tive impressões positivas. A violência que explode, as vezes, eu mesmo nunca a vi. No Egito, andando por aí, eu vi as igrejas queimadas pelos muçulmanos e conheci um padre Comboniano no Cairo, que mataram quando queimaram uma igreja. Mas na rua, nos contatos com as pessoas, não se respira esta atmosfera”.

Fonte da foto: http://transformaelmundo.files.wordpress.com/2009/08/cross-crescent.jpg?w=366&h=286

Em Damasco, tudo calmo…

12 12UTC janeiro 12UTC 2012

Enquanto estive em Damasco durante o recesso de Natal, concedi a seguinte entrevista ao amigo Filipe d’Avillez, da rádio portuguesa Renascença, que já muito citamos aqui no blog:

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=44698

Não deixem de escutar o arquivo em áudio, abaixo da foto.

Calendário Melquita 2012

5 05UTC janeiro 05UTC 2012

Calendários que podem ser impressos em tamanhos A4 e A3.

Arquivos iCalendar que podem ser facilmente adicionados ao Hotmail, GMail, iPhone, Microsoft Outlook, etc.

Santo do dia, leituras para Domingos, dias da semana e indicações de jejum.

Aplicável para todas comunidades de rito bizantino que sigam o calendário gregoriano.

Tudo isso e mais em seis línguas: português, inglês, espanhol, francês, árabe e indonésio! O download pode ser feito aqui. 

Ps.: em breve, a versão ortodoxa.

O Ícone da Natividade

28 28UTC dezembro 28UTC 2011

 por S. Excia. Dom Pierre Mouallem[1]

 

            “No princípio era o Verbo, e o Verbo era Deus e o Verbo se fez carne e habitou entre nós… e assim vimos sua glória” (Jo 1,14).

“Isto que acabamos de ouvir, vimos em nossos olhos, meditamos com nossas almas e corações e nossas mãos apalparam” (1Jo 1,1). Este é aquele que “morreu por nós para nos redimir de toda culpa… com seu aparecimento transfigurou-se a condescendência divina de Nosso Salvador e Seu amor pelos homens. Ele nos salvou, não com boas obras, que teríamos feito, mas segundo a sua misericórdia (1Ts 2,14;3, 4-5). Este Deus que veio a nós encarnado (Rm 9,5) é o centro da festa da Natividade e ponto de apoio de todo o grandioso mistério salvífico,  que a Igreja celebra, e que nos é representado pelo ícone da Natividade, personificando a fé dos cristãos e sua esperança.

Os ícones bizantinos da Natividade são incontáveis, mas por mais que haja variedade nos detalhes, todos se encontram em elementos fixos, comuns, realçados pelo pincel do pintor, conforme o gênio dos homens de cada tempo e lugar. Quanto a nós, escolheremos para nosso estudo um ícone russo “moderno”, porque seu autor, Giovanni Mezzalira, italiano de nascimento e nacionalidade[2], distinguiu-se por seu amor profundo, pela preservação do espírito e da tradição iconográfica de maneira legítima, em seus dois ramos, bizantino e russo, que são duas das mais belas formas de se expressar a arte religiosa cristã. Esse ícone apareceu em primeiro lugar naquela singular exposição que foi realizada em 1998 em Roma, no jubileu milenar da cristianização da Rússia.

Na parte superior do ícone, e debaixo de seu título “Nascimento de Cristo”, contemplamos o céu se abrindo para que dele saia um astro. E esse corpo celeste se fixa em cima da escura gruta para indicar a luz em que nela está escondida: “Nascestes, ó Salvador, escondido numa gruta, mas o céu vos anunciou a todos, tomando  como seus lábios a estrela, cujo raio se abre para a gruta…”, de acordo com os cantos da Véspera da Festa. A estrela, embora silenciosa, simboliza lábios que proclamam o céu, prefigurando aquele dia em que o céu iria se abrir e faria sua voz ser ouvida em testemunho público, na hora da Epifania e da Transfiguração: “Este é o meu filho bem-amado no qual ponho todo o meu agrado” (Mt 3, 17; 17,5).

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Mensagem dos Patriarcas cristãos na Síria

23 23UTC dezembro 23UTC 2011

Mensagem dos Patriarcas cristãos na Síria

para seus fiéis e concidadãos
(15 de Dezembro de 2011)

Os três Patriarcas – Sua Beatitude Ignatios IV (Hazim), Patriarca Ortodoxo de Antioquia e de todo o Oriente, Sua Santidade Mar Ignatios Zakka I (Iwas), Patriarca Siríaco-ortodoxo de Antioquia e de todo o Oriente, e Sua Beatitude Gregorios III (Laham), Patriarca Católico Greco-Melquita de Antioquia e de todo o Oriente, de Alexandria e de Jerusalém — reuniram-se no Mosteiro de Santo Efrém, o Sírio, em Ma’arrat-Saydnaya, na manhã de quinta-feira, 15 dezembro de 2011, e juntos examinaram o que está acontecendo em nossa amada terra natal, a Síria, a saber, os eventos turbulentos que se têm prosseguido já por nove meses.

Eles examinaram esses eventos e seus efeitos posteriores no país e entre os fiéis: as tragédias e sofrimentos em várias dimensões. Expressaram sua profunda dor pelo que tem acontecido, e sua tristeza pelas vítimas que foram mortas, bem como o seu medo pela deterioração da situação econômica. Manifestaram seu desejo fervoroso pela cura das feridas da Síria, pela reconciliação do seu povo em espírito de amor, tolerância, cooperação e sabedoria, e ainda que eles prefiram o bem-estar da pátria a qualquer outro interesse, retornando às suas raízes, ao seu patrimônio, às suas consciências, à confiança na troca mútua e na solução autônoma de seus próprios problemas.
Os Patriarcas rejeitaram qualquer tipo de intervenção estrangeira, sem importar de qual origem seja, e pediram pelo levantamento das sanções impostas à Síria, seja qual tenha sido o seu pretexto.

Da mesma forma, rejeitaram o recurso à violência, seja qual forma assuma, e apelaram pela paz e reconciliação de todos em nome de Deus e do país. Incentivaram as reformas e as medidas positivas promulgadas pelo governo, pedindo pelo respeito aos princípios de justiça, liberdade, dignidade humana, justiça social e aos direitos dos concidadãos.

Finalmente, oraram de maneira fervorosa a Deus Todo-Poderoso para que tenha misericórdia dos mortos, conforte os corações dos aflitos, proteja a Síria e seus líderes, orientando-os para um porto seguro de paz, soberania e prosperidade. E que ainda tais chefes peçam a participação de todos na oração incessante e não permitam que o medo tome conta de ninguém, nem por um fio de cabelo de nossas cabeças, que não pode ser tocado a não ser pela ordem de Deus, nosso Pai celestial, como nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou.

Como estamos no período de preparação para a Festa gloriosa da Natividade, enviamos a todos os nossos filhos e filhas, bem como aos nossos concidadãos, os nossos cordiais votos, pedindo a Nosso Senhor Jesus, o Deus pré-eterno, o qual se tornou homem para a nossa salvação, que encha nossos corações com a alegria e a paz anunciada pelos anjos na noite gloriosa de Natal, pela intercessão da Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, e de todos os santos.

+ Ignatios Zakka I Iwas
Patriarca Siríaco-Ortodoxo

+ Ignatios IV Hazim
Patriarca Ortodoxo Antioqueno

+ Gregorios III Laham
Patriarca Católico Greco-Melquita

Tradução do inglês por Philippe Gebara


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