O Ícone da Natividade

 por S. Excia. Dom Pierre Mouallem[1]

 

            “No princípio era o Verbo, e o Verbo era Deus e o Verbo se fez carne e habitou entre nós… e assim vimos sua glória” (Jo 1,14).

“Isto que acabamos de ouvir, vimos em nossos olhos, meditamos com nossas almas e corações e nossas mãos apalparam” (1Jo 1,1). Este é aquele que “morreu por nós para nos redimir de toda culpa… com seu aparecimento transfigurou-se a condescendência divina de Nosso Salvador e Seu amor pelos homens. Ele nos salvou, não com boas obras, que teríamos feito, mas segundo a sua misericórdia (1Ts 2,14;3, 4-5). Este Deus que veio a nós encarnado (Rm 9,5) é o centro da festa da Natividade e ponto de apoio de todo o grandioso mistério salvífico,  que a Igreja celebra, e que nos é representado pelo ícone da Natividade, personificando a fé dos cristãos e sua esperança.

Os ícones bizantinos da Natividade são incontáveis, mas por mais que haja variedade nos detalhes, todos se encontram em elementos fixos, comuns, realçados pelo pincel do pintor, conforme o gênio dos homens de cada tempo e lugar. Quanto a nós, escolheremos para nosso estudo um ícone russo “moderno”, porque seu autor, Giovanni Mezzalira, italiano de nascimento e nacionalidade[2], distinguiu-se por seu amor profundo, pela preservação do espírito e da tradição iconográfica de maneira legítima, em seus dois ramos, bizantino e russo, que são duas das mais belas formas de se expressar a arte religiosa cristã. Esse ícone apareceu em primeiro lugar naquela singular exposição que foi realizada em 1998 em Roma, no jubileu milenar da cristianização da Rússia.

Na parte superior do ícone, e debaixo de seu título “Nascimento de Cristo”, contemplamos o céu se abrindo para que dele saia um astro. E esse corpo celeste se fixa em cima da escura gruta para indicar a luz em que nela está escondida: “Nascestes, ó Salvador, escondido numa gruta, mas o céu vos anunciou a todos, tomando  como seus lábios a estrela, cujo raio se abre para a gruta…”, de acordo com os cantos da Véspera da Festa. A estrela, embora silenciosa, simboliza lábios que proclamam o céu, prefigurando aquele dia em que o céu iria se abrir e faria sua voz ser ouvida em testemunho público, na hora da Epifania e da Transfiguração: “Este é o meu filho bem-amado no qual ponho todo o meu agrado” (Mt 3, 17; 17,5).

À direita, começa o espetáculo da Natividade como foi contado no início do Evangelho de Lucas (1,20): “Um anjo descendo do céu inclina-se sobre pastores simples guardando seus rebanhos de noite e lhes anuncia a grande notícia: “Não tenhais medo, eu vos anuncio uma grande alegria para todo o povo. Hoje nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor”. Enquanto os pastores, junto inclusive de suas ovelhas, olham pasmados para o céu, eis que um coro de anjos ao lado esquerdo entoa a alegria da festa: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra e alegria aos homens”. Esse que foi anunciado para os pobres pastores antes de todos, velando por seu rebanho, não se tornaria ele mesmo o Bom Pastor que hoje vem procurar as ovelhas desgarradas, carregá-las em seus ombros e devolvê-las para o aprisco (Jo 10,16)? Não seria ele o Rei e, ao mesmo tempo, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo (Jo 1,29)? “Nossa Páscoa foi imolada” (1Cor 5,7)! A Natividade portanto – isso não podemos esquecer nunca – não é outra coisa no Novo Testamento senão as primícias dos diversos anúncios de bondade, tocantes e divinos, e das transfigurações do amor de Cristo por nós, as quais não se completarão senão com a Páscoa, isto é, com a Morte e a Ressurreição.

E à frente dos pastores podemos ver os magos do lado esquerdo – eles que foram citados em Mateus no início do Evangelho (2,1-12). O Evangelho não comenta nada a respeito deles além de que eram magos, embora a tradição tenha conservado que eles foram reis da Pérsia, versadosem astrologia. Seos pastores eram a prefiguração dos judeus que teriam o anúncio do grande mistério, os magos eram a prefiguração das “nações” ou dos “gentios”, quer dizer, os pagãos. Os pastores eram do povo simples, mas os magos eram reis, e o dever deles era adorar o Rei. “Os magos, os reis da Pérsia, quando souberam com clareza que o Rei Celestial nasceu na terra, seguiram a estrela brilhante e acorreram para Belém. Adoraram nu o Deus encarnado e lhe ofereceram presentes preciosos: ouro puro, porque ele era Rei dos séculos, incenso, porque era o Rei de todos, e, como era o Deus de todos, sepultado durante três dias, ofereceram-lhe a mirra dos perfumes do embalsamento imortal” (Canto das Vésperas da Festa).

No canto inferior do ícone, à direita, vemos um homem sentado sobre a terra, apoiando sua cabeça sobre o braço com expressão curiosa. Como sempre disseram os santos em relação aos ícones bizantinos, este seria José com a mente distraída num outro mundo: “Eis o que diz José para a Virgem: “Ó Maria, o que vejo em vós? Estou perturbado. Perdi a cabeça. Maria, vós trouxestes para mim a vergonha e a tristeza no lugar da alegria. Eu vos recebi imaculada no templo do Senhor, das mãos dos sacerdotes, sem nenhuma repreensão. O que estou vendo agora em vós?” (Canto da Vigília da Festa). Alguns comentadores pensaram que isto é, de fato, o que José refletia no ícone, e que a pessoa à sua frente, de pé, não é outro senão o diabo, que veio para tentá-lo e plantar dúvidas em seu coração. Mas nós pensamos com muita humildade que esta explicação não é exata. O que lemos no hino aconteceu antes de o segredo ter sido revelado a José, mas agora “Diga-nos, José, como que vós recebestes nos Santos dos Santos uma moça virgem, e a trazeis agora grávida para Belém?”. Ele responde dizendo: “Procurei os profetas e o anjo me revelou. Então acreditei que Maria dará a luz a Deus em um nascimento incompreensível, e magos virão do Oriente para adorá-Lo” (mesma referência). José não é o mesmo José de ontem. Ele está submerso em suas meditações, lembrando a historia da salvação, seus símbolos e suas profecias, que estão se realizado hoje. Medita em silêncio, com espanto, sobre a dignidade de ter descoberto esse grande mistério, e a excelência que Deus lhe reservou, de ser o pai legal do Divino Menino e o protetor fiel da mãe virgem. “José glorioso, vós tivestes uma vida honesta, irrepreensível. Tornastes-vos, portanto, um protetor para a Virgem e fostes chamado de pai para o menino nascido, crescendo com esse nome digno” (Matinas do dia de S. José, Domingo depois do Natal).

Este que está parado na frente dele, quem pode ser portanto? Alguns pensaram que seria um dos pastores, porque junto dele há alguns cordeiros. Porém, isso não é certo. Os outros pastores no ícone são jovens, mas ele é um ancião, curvado pelos anos e com uma roupa diferente. Os primeiros, com seus rebanhos, com seus cordeiros, dirigem-se ao presépio, mas ele, com seus cordeiros, vão até José. Quem é, então? A resposta transparece no início do canto com que a Igreja inicia as celebrações da Festa: “Alegremo-nos no Senhor e difundamos o mistério presente, porque já desapareceu o muro que separava, a lança flamejante é virada para trás e os querubins apresentam um madeiro da vida. Mas eu volto a desfrutar da festa do paraíso, de onde fui exilado antes por causa da prevaricação”. Esse é o parágrafo das Vésperas da Festa. Isto nos leva para o início da criação, para o Jardim do Éden, para a rebeldia de Adão, o primeiro homem,  e sua expulsão do paraíso (Gên 3,23-24), depois de ter Deus coberto sua nudez e a de Eva com vestes de couro (21). Não seria esse estranho escuro, esse velho de barba branca apoiado numa bengala, vestido com um manto de couro, o próprio Adão? E quem mais digno do que ele de ver o nascimento do novo Adão, a cabeça salvadora da nova criação? Encontra-se afinal com José. Não estaria em Adão o final da série da genealogia de Cristo como foi citada em Lucas (3,23-28), iniciada  com José? “Vamos contemplar como Belém abriu o Éden” (Matinas da Festa). As ovelhas que estão na frente de Adão lembram o primeiro sacrifício que um homem sobre a terra ofereceu a Deus, quando ofereceu Abel, filho de Adão, de Abcar, suas ovelhas e, das mais gordas, fez um presépio para o Senhor (Gen 4,4). Não seriam aqueles cordeiros, melhor dizendo, Abel mesmo, a primeira vítima e pastor na terra (4,4)? Ele é o primeiro símbolo de Cristo, o cordeiro e o pastor. Mas o jardim do Éden não fica completo sem Eva. Ela está presente no outro canto, oposto ao de Adão.      Que mulher mais digna do que ela para ser a primeira a ver, apalpar, beijar e abraçar aquele que lhe fora anteriormente prometido, o qual, vindo de sua progenitura, ecrasaria a cabeça da serpente (Gen 15,3)? Ei-la na qualidade de parteira, lavando a nova criancinha e a apalpando com toda a sua naturalidade e com a dela. Então que ela vê em uma criança “O Deus existente”, cuja identidade está escrita em torno de sua cabeça. Convence-se que é o Salvador prometido. Aquele que ela esperou durante séculos, longos séculos. Mas esta ablução não é uma ablução normal, é a representação antecipada da ablução do Batismo. Ela o tira da água como a criança da pia batismal. E não seria o batismo uma participação na morte e na ressurreição de Cristo (Rom 6,3-5)? Isso lembra o que foi dito antes sobre a relação entre o Natal e a Páscoa, como um mistério único. Já a parteira que ficou para ajudar Eva na operação da ablução é, segundo a tradição, Salomé, a parente de Maria, que será um dia a mãe do Apóstolo João, o discípulo bem-amado, a quem Jesus entregará sua Mãe quando estava na cruz.

Tudo isso é o quadro que circunda a essência do ícone no meio, mais exatamente em seu centro: Maria e seu filho, seu menino, ela que foi eleita por Deus, purificada e eleita entre todas as mulheres do mundo (Sura Al-Umran 42). Ela e seu filho são um milagre, um prodígio para os mundos (Sura dos Profetas 91). “Vamos fiéis, ver onde nasceu o Cristo, vamos acompanhar a estrela por onde ela for” – com este bonito canto a Igreja inicia os seus hinos na manhã da Festa e chama os fiéis para onde nasceu Cristo. Eis o menino prodígio que vimos há pouco entre as mãos da parteira é aquele que, mesmo “existindo em forma divina, não considerou como roubo o ser igual a Deus, mas despojou a si mesmo, assumindo a imagem de servo e tornando-se aos homens semelhante. E encontrado em aspecto humano, humilhou a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte — e morte de cruz! (Fl 2,6-8). É extraordinária essa queda humilhante, essa mistura com os homens, a humildade e o aniquilamento que o levou à morte. Ei-lo no presépio, porque Maria “quando terminaram seus dias e deu

à luz, deu à luz a um Filho Primogênito, ela o envolveu e o depositou na manjedoura, porque não tinham para ela e para José um lugar na hospedaria” (Lc 2,6-7). No presépio, isto é, na manjedoura dos animais, há perto da criança um touro e um burro, para com sua respiração aquecerem-no. “O touro conheceu o seu dono e o burro a manjedoura do seu dono, mas Israel não conheceu e meu povo não entendeu” (Isaías 1,3). “Veio para seus parentes e seus parentes não o receberam” (Jo 1,11). “O menino deitado, num presépio, os magos não admiraram pelos cetros e pelos tronos, mas pela extrema pobreza, sendo que não há mais nada desprezível do que uma gruta. Ou qual é a coisa mais humilde do que as faixas em que brilhou a riqueza de sua divindade?” (Cântico das Matinas da Festa). Sim, um menino está enfaixado no presépio, mas o presépio não está desde já na forma de um túmulo? E as faixas, na forma da roupa mortuária? Não é uma representação antecipada para o sepultamento depois de sua morte sobre a cruz? Por isso, depois dessa humildade, desse esvaziamento, ele dirige-se a sua morte, em um movimento como o da asa da águia, batendo de maneira maravilhosa e plana lá no alto nos céus, como estava em sua primeira glória. Por isso, foi elevado de maneira mais excelsa e recebeu um nome acima de todos outros nomes, para que todos joelhos se ajoelhem ao nome de Jesus na terra e sob a terra, e para que toda língua reconheça confessando que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai (Fl 2,9-11). Retornamos outra vez para o vínculo estreito entre o Natal, e a Páscoa, quer dizer Morte e Ressurreição. Cristo não veio para caminhar entre nós para “dar uma volta”; pelo contrário, entrou no mais profundo de nossa natureza decaída para ascendê-la e divinizá-la. O homem, quer dizer, Adão, quis ser Deus e caiu. Os Padres dizem: “Deus assumiu a nossa natureza, tornando-se homem, para que o homem se tornasse um deus”. E por isso, disse Cristo, quando entrou no mundo: “Sacrifício e ofertas não quisestes, mas preparastes-me um corpo. Então eu disse: “Eis-me aqui, para fazer, Deus, a vossa vontade (Hb 10,5-7). “Hoje, na terra, Deus apareceu e, ao céu, o homem subiu” (Canto da Procissão de Vésperas da Festa). Isto, numa frase, resume todo o conteúdo da festa.

“Alegre-se hoje o céu e a terra com alegria profética, celebrem os anjos e os homens num festim espiritual, porque Deus apareceu no corpo daqueles que estavam nas sombras e na escuridão: nascido de uma virgem, de uma mulher, e quem o recebeu foi uma gruta, um presépio” (1ª estrofe da Procissão da Festa). A natureza inteira está em festa e nós, na porta do presépio, qual será a nossa atitude em respeito da festa? E nosso lugar nela? “O que vos oferecemos ó Cristo, porque aparecestes sobre a terra, como homem por nossa causa? Cada criatura que criastes vos agradece. Os anjos glorificam pelo canto e os céus, pelo astro. Os magos, pelos presentes; os pastores, pela admiração; a terra, pelo presépio; e o deserto, pela manjedoura. Quanto a nós, oferecemos-vos uma Mãe Virgem” (das orações de Vésperas da Festa). Haverá algo mais precioso e mais excelente?

Maria, uma mãe virgem, eis o nosso presente para o menino do presépio. Em sua entrada, ele mais se parece com uma ponte que nos liga ao seu filho dormindo com tranqüilidade, enquanto no seu rosto vemos marcas de perturbação e de calma, no mesmo tempo. Ela, de um lado, aparece como se estivesse espantada em face do acontecido, mas, por outro, está firme em sua tranquilidade inspirada pelo interior. “Respondi dizendo: ‘Por que dei à luz no tempo a um filho que não pode ser limitado pelo tempo?’ E não sei como foi a gravidez desse filho. Como vou dar à luz a um filho sem ter conhecido homem nenhum? Quem viu um dia um nascimento sem colaboração? Mas quando Deus quer, ele vence a ordem natural, como foi escrito” (2º cântico das Matinas da Festa). Sem dúvida, é algo obscuro, mesmo meditando com profundidade o que entendeu das palavras dos pastores para o seu coração (Lc 2,17-19). Mas seu olhar, seu pensamento, seu coração, ultrapassam o momento do acontecimento, estende-se para muito longe, para o infinito do que era antes e do que será depois. Pensa e medita, torna a recordar de sua antepassada antiga, a mãe primeira, Eva, que trouxe a morte para o homem, mas ela mesma, Maria, a nova Eva, carrega para a humanidade quem é a ressurreição e a vida (Jo 11, 25). Traz à tona em sua sua mente a profecia de milhares de anos, sobre a Mulher que irá esmagar a cabeça da serpente, passam na frente dela dezenas de nomes de pais, avós, que falaram e escreveram sobre ela, os profetas que a profetizaram com muitos símbolos e expressões. E será que ela se esquece particularmente da profecia de Isaías, proferida 800 anos antes: “Escute, casa de Davi, eis o que diz o Senhor, que vos dá este milagre, eis a virgem que concebe e dá um filho chamado Emanuel” (Isaías 7,14). O profeta naquele momento estava sonhando e é agora o momento do despertar deste torpor, em face daquele em que não se acreditaria se não fosse vivendo com verdadeira vitalidade. E se esse versículo se realiza nela mesma, sua concretização não se deterá apenas na casa de Davi, mas tornar-se-á um milagre dos mundos, a começar por esses magos estrangeiros que vieram do fim do Oriente e estendendo até os confins do Ocidente. Maria está admirada e nós também. “Ó Mãe e Virgem, é muito difícil para nós, apesar de nosso forte desejo, entoar cânticos dignos, por isso preferimos o silêncio de medo, porque o silêncio é mais fácil e não compromete” (7º canto do Cânone da Festa). Mas há algo mais eloquente que este silêncio?

Maria não medita apenas no passado, ela desvela o futuro e o lê antecipadamente para nele meditar: depois de poucos dias, vai apresentar o seu filho ao templo e o velho sacerdote Simeão o receberá. Anunciar-lhe-á o que vai alegrar ou entristecê-la: “Seu filho é a salvação que Deus preparou para todo povo, luz para as nações e glória para Israel” (Lc 2,30-32). Há uma glória maior do que essa? Mas será também “queda de muitos em Israel, sendo sua ressurreição um milagre, mas causa de contradição” (34). A mãe é um milagre, e o filho, outro. Ela e seu filho um milagre para o mundo. A primeira profecia de Simeão é alegre, mas a segunda é dramática. São diferentes e ficarão sempre sujeitas à recusa e presentes como objeto de contradição. Mas o cume do drama está na terceira profecia: “E seu coração será transpassado” (34). Será que ela se vê desde já aos pés da cruz: “estava aos pés da cruz de Jesus a sua mãe”? (Jo 19,25).

Entre o passado muito distante e o presente próximo, mais distante ainda está pensamento de Maria, em um êxtase espiritual, que a leva para o que está entre os dois. Hoje ela está numa alegria tão grande por um acontecimento feliz que vive as mais suaves lembranças de sua vida, em poucos meses passados. Naquele dia, o anjo visitou-a na cidade de Nazaré e lhe transmitiu a saudação da parte do Senhor “Ave, ó cheia de graça, o Senhor é contigo, vai dar à luz a um filho e lhe dará o nome de Jesus e será grande o nome do filho do Altíssimo”. E depois do diálogo, pergunta e resposta, ela retruca “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a sua vontade”. Depois de certos dias, Elizabete a receberia: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do vosso ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar? ” (Lc 1,34-45). Hoje, na alegria do que está se realizando, Maria lembra e vive aquelas lembranças como num sonho. Ela canta num gozo muito profundo: “Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque ele olhou para a pequenez de sua serva. Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada, porque o Poderoso de nome Santo fez em mim maravilhas” (46-49).

Com Maria, nós também, em grande alegria, cantamos “Minha alma engrandece o Senhor”. Com ela e com a Igreja, nossos sinos badalam, nossos lábios e corações de todos os lados do universo:

“ Cristo nasceu, glorificai-O.

  Cristo veio dos céus, acolhei-O.

  Cristo na terra, elevai-O.

 Ó toda terra, cante para o Senhor, e povos louvai-O porque  foi exultado ”.

(1º cântico do 1º Cânone da festa).

Traduzido por Mons. Alphonse Nagib Sabbagh e revisado por Philippe Gebara


[1]            Arcebispo Emérito da Eparquia de Nossa Senhora do Paraíso dos Greco-Melquitas do Brasil, e da Eparquia de São João de Acre, Haifa, Nazaré e de toda a Galileia.

[2]    Nota do revisor: como ainda não encontramos uma versão digital do ícone de Metzalira, usamos a imagem de outro ícone semelhante: http://www.christusrex.org/www2/vartanova/images/c_nativity.gif

Uma resposta para “O Ícone da Natividade”

  1. Hudson dos Santos Araújo Disse:

    Um grande presente para nós meditarmos sobre esse ícone, humildemente te apresento este sitio: http://www.camino-neocatecumenal.org/neo/camino_neocatecumenal.htm , onde há vários icones Russos, Bizantinos e do inciador do meu movimento (Neocatecumenato) Kiko Arguello, acredito que vale apena voc~e dar uma olhada inclusive a “1a.” igreja no “estilo” catecumenal em Firenze (São Bartolomeu in tuto) http://www.camino-neocatecumenal.org/neo/ICONOGRAFIA/corona%20misterica/Ch-hr.jpg

    Para você e os seus um Santo Natal !!!

    Redemptoris mater ora pro nobis!!

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